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Módulo 1: “Territórios Vivos: Povos Indígenas do
Brasil e do Cerrado”
PARA CONHECER, EXPLORAR E APRENDER MAIS:
E o podcast “Casa Floresta” é uma série de podcasts realizada pelo Instituto Socioambiental (ISA) e seus parceiros indígenas, ribeirinhos e quilombolas que vivem nas bacias dos rios Negro, Xingu e Ribeira de Iguape. A equipe levou convidadas e convidados especiais para conhecer as comunidades e suas iniciativas. Foram 17 dias de gravação em quatro Estados (São Paulo, Mato Grosso, Amazonas e Pará), que resultaram em mergulhos profundos e transformadores nas raízes negras e indígenas do Brasil. Distribuído pelo Instituto Socioambiental - ISA.
Conheça a série de vídeos produzida especialmente para a exposição, que reúne narrativas, memórias e conhecimentos compartilhados por integrantes do povo Canela, em Mato Grosso. Os depoimentos apresentam diferentes perspectivas sobre a história, a cultura, os modos de vida e as experiências da comunidade, valorizando a oralidade, a memória dos anciãos e anciãs e a atuação de suas lideranças tradicionais.
As entrevistas e gravações foram realizadas por Steffany Galvão Barros Kajkwyj Kanela e Narubia Dias da Silva, representantes do povo Kanela, com roteiro elaborado pela museóloga Bárbara Freire Ribeiro Rocha.
Participam da série:
Joana Hojrê Silva dos Santos — anciã do povo Kanela do Araguaia, Aldeia São Pedro, Luciara–MT;
Antônio Thiaká Silva dos Santos — cacique tradicional do povo Kanela do Araguaia, Aldeia São Pedro, Luciara–MT;
João José Hureare Silva dos Santos — ancião do povo Kanela do Araguaia, Aldeia São Pedro, Luciara–MT;
Rita Batista Dorta Kanela — cacica tradicional do povo Kanela do Araguaia, Luciara–MT.
Assista à série de vídeos e conheça as histórias narradas por quem vive, preserva e transmite os saberes do povo Canela.
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Módulo 2 – “Olhares Ancestrais: Cinema Indígena do Cerrado e do Brasil”
O cinema com temática indígena — especialmente quando realizado por cineastas indígenas — é um gesto de resistência, reexistência e afirmação de presença. Quando a câmera está nas mãos de realizadores indígenas e também de não indígenas compro- metidos com uma perspectiva ética e de escuta, surgem outras formas de narrar: com autonomia, sensibilidade, poesia e verdade.
Nesta Ikré(casa)-cinema, os públicos são convidados a vivenciar obras indígenas e etnográficas que atravessam território, memória, espiritualidade, juventude, arte e modos de existir. São filmes que não apenas mostram: aproximam, convocam e fazem sentir o pulsar contemporâneo dos povos originários, ampliando o conhecimento e a valorização de suas culturas.


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Módulo 3 – “A Palavra que Planta: Línguas que
Fazem o Mundo”
PARA CONHECER, EXPLORAR E APRENDER MAIS:
Conheça o projeto “Cantos da Floresta — Iniciação ao Universo Musical Indígena”, criado pelas educadoras musicais e pesquisadoras Magda Pucci e Berenice de Almeida, com publicação da Editora Peirópolis. A plataforma reúne músicas de diferentes povos indígenas, acompanhadas de letras nas línguas originárias, pronúncias, traduções, partituras e propostas didáticas. Os áudios foram gravados nas aldeias ou extraídos deproduções realizadas por associações indígenas, com as devidas autorizações.
Explore o portal do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas, iniciativa desenvolvida conjuntamente pelo Museu da Língua Portuguesa e pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo — MAE-USP, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo — FAPESP e colaboração de comunidades e especialistas indígenas. O Centro atua na pesquisa, documentação, preservação e difusão da diversidade linguística e dos conhecimentos culturais dos povos indígenas do Brasil.
Conheça também o portal do Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas — PRODOCLIN, desenvolvido pelo Museu do Índio, órgão científico-cultural da Fundação Nacional dos Povos Indígenas — Funai, em cooperação com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura — UNESCO e com a participação de pesquisadores e comunidades indígenas. O portal apresenta
informações sobre a diversidade das línguas indígenas faladas no Brasil, sua importância como patrimônio cultural, o multilinguismo e as iniciativas de documentação e salvaguarda desenvolvidas com diferentes povos.
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MÓDULO 4 – “O Mundo é Redondo como a Aldeia:
Cosmovisões dos Povos do Cerrado”
Nas cosmologias Timbira, os mitos narram acontecimentos do “tempo antigo”, quando humanos, animais e seres encantados compartilhavam uma mesma condição de existência. Esses relatos não são entendidos como ficção, mas como conhecimento verdadeiro sobre a origem da vida social, da natureza e dos rituais.
O mito explica a origem do fogo, a separação entre céu e terra, a transformação dos animais e a instituição das metades sociais. Ele organiza o pensamento coletivo e orienta a ação no presente (LÉVI-STRAUSS, 1958). Assim, o mito não pertence ao passado: ele estrutura o presente.


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MÓDULO 5 – “Entre Fibras e Histórias: Tradições
que se Entrelaçam”
O trançado das cestas indígenas é também o trançado das memórias: uma tecnologia da vida cotidiana que nasce do encontro entre mãos, plantas e tempo. No Cerrado (e em
suas zonas de contato), cada etapa — da coleta da matéria-prima ao último arremate — expressa um modo de conhecer e cuidar do mundo, transmitido entre gerações como aprendizado compartilhado e prática cultural (RIBEIRO, 1985).
A cestaria reúne objetos planos e recipientes: desde a cobertura e paredes de uma casa até uma bolsinha de fumo, porque “trançado” nomeia tanto o objeto quanto a técnica de manufatura, feita sobretudo com as mãos, sem tear, articulando coordenação motora e imaginação criativa (RIBEIRO, 1985). Entre os povos Timbira, Karajá (Inỹ) e Tapuia, cestas, peneiras e esteiras organizam o trabalho, a alimentação, a circulação e o
conforto, ao mesmo tempo em que apresentam padrões geométricos que tornam visível a inteligência das tramas.
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Módulo 6 – “Cantos, Danças e Fogueiras: O Tempo do Encontro”
Nas cosmologias Timbira, os mitos narram acontecimentos do “tempo antigo”, quando humanos, animais e seres encantados compartilhavam uma mesma condição de existência. Esses relatos não são entendidos como ficção, mas como conhecimento verdadeiro sobre a origem da vida social, da natureza e dos rituais.
O mito explica a origem do fogo, a separação entre céu e terra, a transformação dos animais e a instituição das metades sociais. Ele organiza o pensamento coletivo e orienta a ação no presente (LÉVI-STRAUSS, 1958). Assim, o mito não pertence ao passado: ele
estrutura o presente.


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Módulo 7 – “Bonecas de Barro: Memória das Mãos e da Infância”
PARA CONHECER, EXPLORAR E APRENDER MAIS:
Conheça o documentário “Ritxòkò” (2011), dirigido pelo cineasta Neto Borges, com roteiro de Manuel Ferreira Lima Filho, Nei Clara de Lima e Neto Borges, Rosani Moreira Leitão e Telma Camargo da Silva, produção da Olho Filmes, em parceria com o Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás — UFG e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — Iphan. O filme registra os saberes, as
práticas e os modos de fazer das ritxòkò, bonecas de cerâmica produzidas pelas mulheres do povo Iny/Karajá, destacando seus significados artísticos, educativos, sociais e cosmológicos.
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Módulo 8 – “Casas do Mundo: Saberes da Construção e do Pertencimento”

Os povos Timbira — entre eles Krahô, Canela, Apinajé, Krikatí e Gavião — pertencem ao tronco linguístico Macro-Jê e ocuparam tradicionalmente vastas áreas do Cerrado brasileiro, especialmente nos atuais estados do Maranhão, Tocantins e norte de Goiás (NIMUENDAJÚ, 1944; APOLINÁRIO, 2013). Sua presença no território não se limita a uma dimensão geográfica: para os Timbira, o território é espaço de vida, memória ancestral, espiritualidade e organização social. Nele se inscrevem caminhos, roças, áreas de caça, lugares sagrados e relações de parentesco que estruturam a coletividade (DUTRA, 2019).
No Cerrado, esses povos desenvolveram um modo próprio de habitar e organizar o mundo, profundamente integrado ao ambiente. A paisagem não é cenário, mas parte ativa da vida social. Habitar significa construir relações — entre pessoas, entre metades cerimoniais, entre humanos e não humanos, entre sociedade e cosmos.
Uma das expressões mais marcantes dessa organização é a aldeia circular. As casas dispõem-se em círculo, formando ao centro uma ampla praça, considerada o coração da vida comunitária (NIMUENDAJÚ, 1944). Nesse espaço central realizam-se rituais, festas, corridas cerimoniais de toras, reuniões políticas e ritos de iniciação. A forma circular não é apenas arquitetônica: ela representa equilíbrio e complementaridade social, estruturada em metades cerimoniais e em complexas relações de parentesco.
Como observou Claude Lévi-Strauss, a organização espacial da aldeia expressa simbolicamente a relação entre sociedade e universo, resumindo e assegurando as relações entre o homem e o cosmos (LÉVI-STRAUSS, 1958).
